Dentre os fantásticos amigos que fiz ao longo da vida um se destaca muito e o conheci nas pedras da praia das Castanheiras em Guarapari. Ele pescava usando um bambu de ponta afiada, como se fosse um índio e pusemos nele o apelido de SNIPER DO ESPÍRITO SANTO. pelos amigos que adoravam zoar, ele detestava o apelido. A família que sempre o amou muito o chamava de ETEVALDO (aquele do castelo RÁ-TIM-BUM).
O pior de tudo é que o maluco tinha sucesso e dezenas de vezes comemos peixe assado na brasa, comprando cerveja no Quiosque SONHO LINDO do Sr. Manoel e Dona Laura, na mesma praia que ele pescava.
ETEVALDO era obstinado, quebrado, sem grana para nada e mesmo assim foi para o exterior, estudou sabe DEUS como, se formou e virou um empresário internacional de sucesso. É desnecessário dizer que ao seu lado, o apoiando para tudo, uma fantástica, brava e otimista esposa, Dona Ounce para os mais próximos.
Um belo dia, após muitos anos, nos encontramos e retomamos a velha e boa amizade, ETEVALDO me convidou para ir jogar golfe com um bilionário americano que queria investir em sua empresa, e eu tinha que me conter para não chamá-lo de SNIPER.
Gentilmente oferecemos ao americano a primeira tacada, eu dei a segunda tacada, bem mixuruca de propósito e ETEVALDO, focado como sempre, foi dar a terceira. Armou o taco dando umas três voltas no corpo e soltou o braço.
Não reparou que o americano passava correndo a passos largos em sua frente. A bolinha pegou no umbigo do gringo se alojando a um centímetro da coluna e a ponta do taco, aquela parte mais gordinha, pegou na parte inferior do aparelho reprodutor do futuro ex homem do Arizona. Ligou o nome à pessoa?
O desafortunado inflou suas avermelhadas bochechas, pudemos perceber duas bolas nos cantos internos de cada olho esbugalhado que subiram dos países baixos com a tacada certeira e o coitado ficou igual peão de rodeio, oito segundos assim e caiu no gramado, segurando seu cofrinho com as duas mãos.
Como o campo era em declive, ele saiu rolando enquanto pulavam de seu corpo os óculos, boné, ponte móvel, celular e tudo mais. Apesar dos esforços frustrados da equipe de apoio em alcançá-lo, rolou rápido e se esborrachou nas árvores do arvoredo do fim do campo.
Olhei para o ETEVALDO e disse: " Reze para que o complemento de seu apelido detestado faça com que o gringo não se lembre do que aconteceu, senão adeus investimento . Vamos embora antes que a polícia e a UTI NO AR cheguem aqui".
ETEVALDO pensou muito, hesitou demais e 32 minutos depois estava no aeroporto, de mala e cuia indo para local incerto e não sabido no sudeste da África, eu acho.
Apesar de constar das listas de procurados de todas as principais policias do mundo, até agora não foi encontrado. Só sei que vive acocorado, disfarçado de índio, com um bambu de ponta afiada na mão, com pinturas de guerra e uma onça a seu lado (como sempre).
Etevaldo abriu próximo a seu novo domicílio uma escolinha de golfe cujo slogan é: "UMA TACADA PODE MUDAR A SUA VIDA" e vida que segue.
Hoje é muito bem sucedido plantando e exportando inhame. Lá o chamam de ETEVALDO, THE CABRA...!!!
Escrito por Helio Faria Junior
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