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segunda-feira, 24 de março de 2014

EXCESSO DE DESCONFIANÇA DÁ NISSO



Fernando e Luíza são um casal normal que se encontrou, se apaixonou e se uniu. Ela, uma professora dedicada e amada por todos e ele, sem profissão definida comprava e vendia um negócio, semana sim semana também.

O problema de Luíza é que tinha muitas amigas dondocas que a única coisa que sabiam fazer era contar ou inventar traições dos maridos das outras e eventualmente até de seus maridos. Luiza, de tanto ouvir aquele monte de futrica, resolveu contratar um detetive para descobrir alguma pulada de cerca de Fernando.

Com uma semana de trabalho, o detetive colocou um microfone na carteira de Fernando, gravou tudo o que ele falou um dia inteiro e num fim de tarde levou um CD com as gravações para ela ouvir e Luíza ouviu o seguinte:

- Vai Carlinhos, pode por aí porque você é meu cliente antigo...

- Espera aí, gente, um de cada vez...

- O seu, Zé Carlos, não vai dar porque é muito grande e ainda tem muita gente para vir aqui hoje, vai prejudicar meu negócio...

Luíza quase teve uma sapituca, ficou branca, verde, azul e por fim roxa de raiva e chorando em cântaros falou para o detetive:

- Esse infeliz é gay, mas ele vai ver só uma coisa, vou expulsá-lo daqui e ainda vou meter um processo no nariz desse enganador!

Assim que o detetive foi embora, ela preparou um e-mail contando o que havia descoberto e mandou para todos os amigos, conhecidos e familiares dele e dela dizendo no fim que já desconfiava daquilo fazia tempo...

Ah, ela também detonou o cartão de crédito dele, comprando tudo que podia pela internet.

Quando Fernando chegou em casa, encontrou suas malas na sala e atrás delas, Luiza, enfurecida e cuspindo marimbondo aceso e xingando a ele e a todas suas gerações passadas, presentes e futuras:

- Sua bichona descarada, me enganando todos esses anos. Os maridos de minhas amigas traíram a elas com mulheres, mas você, me traindo com homens não dá para suportar...

Uma hora depois, quando Luiza se cansou de esbravejar, Fernando conseguiu dizer sua primeira frase:

- Você está maluca, de onde tirou essa ideia???

- Ah é, eu sou maluca, então me diz o que é isto aqui (e colocou o CD para ele escutar).

Depois de uma sonora gargalhada de perder o fôlego e apontando para aquela megera com ar de um ser superior e mãos na cintura, ele disse:

- Meu bem, eu arrendei um estacionamento e toda essa conversa, sou eu orientando os clientes a estacionar. O Zé Carlos queria estacionar lá o seu caminhão.....kkkkk

Bem, cinco anos se passaram, Fernando conseguiu negociar e pagar seu cartão de crédito, se mudaram para um país no sul da África porque depois do e-mail, nem tentou convencer ninguém de que aquilo era um engano...


Escrito por  Helio Faria Junior

segunda-feira, 10 de março de 2014

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES


No dia 08 de março, dia internacional das mulheres, resolvi postar no FACEBOOK uma homenagem à maior quantidade de mulheres possível e escrevi:

PARABÉNS A TODAS AS MULHERES DE MINHA VIDA, EM ESPECIAL À MINHA TICA QUERIDA!!!

Em seis segundos tocou o telefone e era minha namorada,  a Tica:

- Você devia ter vergonha na cara em dar parabéns para o monte de biscate que você já pegou...
Respondi:

- Querida, eu..... Não adiantou, já tinha desligado o telefone.

Editei a frase e escrevi no lugar a seguinte:

PARABÉNS ÀS MINHAS AVÓS, TIAS, PRIMAS, IRMÃS, MÃE E EM ESPECIAL PARA MINHA TICA QUERIDA!!!

Em cinco segundos tocou o telefone, era a Tica:

- Quer dizer que todas as suas parentes são mais importantes que eu que fico sempre por último...

Respondi:

- Queri... Não adiantou, já tinha desligado o telefone.

Editei Novamente a frase e escrevi:

PARABÉNS À MINHA TICA QUERIDA,  ÀS MINHAS IRMÃS E EM ESPECIAL À MINHA MÃE!!!

Em três segundos o telefone tocou, era a Tica:

- Quer dizer que especial em sua vida é sua mãe e eu não sou nada...

Respondi:

- Que... Não adiantou, já tinha desligado o telefone.

Editei mais uma vez a frase e escrevi:

ESTE ÓRFÃO SEM PARENTES E FILHO ÚNICO PARABENIZA A MINHA QUERIDA TICA, ÚNICA MULHER DE MINHA EXISTÊNCIA

Um segundo depois o telefone tocou.

Não atendi!!!


Escrito por Helio Faria Junior

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

EU E NIDE, UMA PASSAGEM PELO CÉU



Nide é um amigo que eu tenho da melhor qualidade. Seu coração não cabe dentro do peito. Gordinho, de bem com a vida e loucamente apaixonado por duas coisas: Comida e fazenda.
Certa vez fomos convidados por um fazendeiro mineiro que queria que comprássemos gado dele. 

Nos mandou até um avião particular para nos buscar e lá fomos nós, eu e Nide que estreava andar de avião e como não podia deixar de ser entrou no aparelho na marra e tentou desistir da viagem mil vezes.

Perecia um pressentimento pois o avião caiu no meio do caminho e todos morreram. Eu e Nide, como somos pessoas do bem, fomos direto para o céu. Os demais, não posso falar nada porque não os vi mais.

Nide chegou no céu esbravejando comigo:

- Eu não falei que era perigoso? Veja no que você nos meteu! E agora, quem vai cuidar de nossas vaquinhas. Fomos morrer logo esta semana em que eu ia fazer silo para o nosso gado...
Assim que o anjo nos levou a nossos aposentos, Nide perguntou a ele:

- A que horas é o almoço? Estou varado de fome porque esse doido me fez ir para o aeroporto às cinco da manhã sem tomar café!

Foi um custo para convencê-lo que no céu não havia comida e muito contrariado e sempre me olhando torto, com olhar de acusação, resolveu aceitar o fato, mas a cada cinco minutos resmungava:

- Meu estômago está roncando...

Resolvi cochilar e quando abri os olhos percebi que havia pessoas discutindo. Era Nide e mais uns quatro fazendeiros exigindo de um anjo que colocasse alma nas vacas para que quando elas morressem fossem para o céu e eles cuidariam delas.

Novamente deu muito trabalho para convencê-los que aquilo não era possível. Consegui, com a paciência de Jó que DEUS me deu, arrastá-lo de volta aos nossos aposentos. Contrariado, a cada dois minutos celestes Nide resmungava:

- Você só não gostou porque a idéia foi minha e não sua...Ufa!!!

Nide saiu para passear e não quis que eu fosse com ele de forma nenhuma. Pouco tempo se passou e um anjo veio me buscar dizendo que DEUS queria falar comigo.

Fui meio assustado e chegando lá, ELE me disse:

- Filho, você precisa me ajudar. Nide está organizando uma rebelião com todos aqueles que hoje moram aqui, mas trabalharam em áreas rurais quando estavam na Terra. Ele está transformando isso aqui numa coisa que EU não quero dizer o nome. Eles querem tratores, implementos e sementes para plantar nas nuvens. O que eu faço?

Eu então respondi:

- A única forma de segurar Nide e suas vontades é nos mandando de volta!!!

A princípio DEUS não gostou muito da idéia, mas quando foi até a janela para refletir, viu uma multidão com faixas e cartazes caminhando em nossa direção, liderados por Nide,
O CRIADOR determinou nosso retorno imediato, recomeçando do momento onde eu ia atender o telefonema do fazendeiro mineiro. A ligação caiu e eu deixei o telefone em casa e fui namorar com a Tica no jardim.

Fiquei muito feliz com o ocorrido e não sei porque hoje vivi com a sensação que eu e Nide vamos viver muito mais de cem anos!!!!


Escrito por  Helio Faria Junior

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

AS ANGÚSTIAS DE UM GORDINHO


Todo mundo gosta de brincar com um gordinho, dizer que ele é engraçado, que todo gordo é bem humorado, que são ponto de referência:

-Olha lá que mulher bonita, bem ao lado do gordinho...

-O que ninguém para para pensar, são as angústias que um gordo passa para fazer tarefas que um magro faz sem perceber nenhuma dificuldade.

-Vou listar algumas só para você se dar conta de como tem sido cruel com os lipidicamente favorecidos.

-A primeira coisa que me vem à cabeça é o imenso esforço que eles fazem para carregar seus corpinhos 24 horas por dia. Até para dormir, gordo pesa sobre si mesmo. Você dorme tranquilo enquanto o coitado gordinho sofre e sua.

No banheiro, você acha mesmo que um gordinho ou uma gordinha consegue fazer exercício de contorcionismo para pegar o papel higiênico?  Ou eles tiram o rolo do lugar e colocam no colo, ou cortam o papel e guardam no bolso. E quando eles entram apressados e não há tempo para isso, já pensaram que constrangedor?

Algum de vocês já viram um gordo pondo meias. Dá vontade de gritar “GOL” quando ele consegue porque o esforço e a estratégia são dignas de aplauso.

Gordo só pode comprar roupa nova no dia de usar. Se comprar com antecedência, ou emagrece e a roupa fica parecendo um saco ou engorda e fica parecendo uma pamonha embrulhada. Vocês já viram como é trágico uma gordinha com tomara-que-caia? E um gordinho de gravata. Ninguém pensa neles. Não existe gravata EXTRAGGPLUSX.
Para terminar,  o mais cruel dos momentos é a hora de fazer sexo. Pobres gordinhos e gordinhas. Não podem usar a imaginação para nada sob pena de literalmente liquidar o parceiro ou a parceiro. E se os dois forem gordos? Acho que tiram no cara e coroa quem vai sofrer e quem vai ter prazer.

Eu sabia que você nunca havia pensado nas angústias dos gordinhos. De hoje em diante, pense duas vezes antes de fazer uma brincadeira de mau gosto com eles. VAMOS PROTEJER NOSSOS GORDINHOS, ABAIXO A GORDOFOBIA!!!

Escrito por  Helio Faria Junior

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

MEU HUMILDE PINTINHO



Era uma vez uma galinha caipira que se pôs a chocar 12 ovos. O que ela não sabia e eu também não é que 11 ovos eram de galinhas da raça Índio Gigante e um era de uma garnisé.

Quando nasceram já se podia notar a diferença. Todos eram grandes e apenas um era mirradinho. Mas todos nós sabemos que mãe que é mãe não tem filho feio e protegeu nosso humilde pintinho como se ele também fosse um gigante.

Um belo dia, o dono da fazenda pegou uma gripe muito forte e sua mulher, muito zelosa resolveu fazer-lhe uma canja e quem foi para a panela foi a dedicada mãe dos onze pintões e de nosso humilde pintinho.

Nosso herói cresceu órfão e como não havia ninguém para protegê-lo foi sistematicamente tripudiado por seus irmão e passou a ser saco de pancadas e motivo de chacota todos os dias de sua existência.

Existe aqui no centro-oeste um bicho chamado “TIÚ” que é primo-irmão do gato do mato e por conseqüência, do gato, com uma característica fundamental que é a de comer pintos em fazendas.

Um belo dia, um bando de TIÚS invadiu a fazenda de nosso herói e cada um foi em cima de um pinto Índio Gigante. Quatro desses bichos correram atrás de nosso herói que por ser pequeno, conseguiu correr mais rápido que eles e entrar dentro de um tubo de PVC de 100 milímetros.

No fim do dia, meu humilde pintinho saiu de seu esconderijo protetor e se deu conta que os TIÚS tinham comido todos os seus irmãos e ele era o único sobrevivente.

O fazendeiro quando se deu conta dessa situação, comprou várias galinhas e nosso humilde pintinho que se transformou em um galo, reinou absoluto naquele harém.

A moral da história é que não adianta ser um pinto grande e forte porque sua hora vai chegar. O negócio é estar preparado para todas as situações, senão, você já era!!!


Escrito por Helio Faria Junior

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A MORTE DE LINDINHA




Meus queridos amigos leitores sabem que hoje minha atividade é a de criação de gado leiteiro e esta semana eu tive o desgosto de ver morrer minha bezerrinha, a LINDINHA, filha da minha vaca holandesa 1028. Vocês podem ver a lindinha no vídeo que postei em meu Facebook    https://www.facebook.com/photo.php?v=693279430684405 e aí todos vão entender porque ela tinha esse nome.

Eu estava no curral, cabisbaixo, triste e pensativo, chateadíssimo com a minha perda sem saber o que fazer com o corpo quando chegou ao curral o peão da fazenda vizinha para pedir uma matraca emprestada:

- Bom dia Doutor Helio!

- Bom dia Zé.

- Porque tanto desconsolo Doutor?

- É que a lindinha morreu, eu não me conformo e não sei o que fazer com o corpo.

Vocês sabem que o ser humano, de uma maneira geral, adora ser portador de notícia trágica principalmente as de morte.

Afundado em minha tristeza, nem vi que o peão saiu às carreiras, voltou para sua fazenda e nem levou a matraca. Encontrou seu patrão e foi logo dando a notícia:

- Patrão, a esposa do Doutor Helio morreu e ele está desorientado sem saber o que fazer com o corpo!

O patrão ligou para o Prefeito da cidade dando a notícia enquanto o peão correu para a cidade e foi para a casa dos pais de minha esposa, a Tica. Chegou lá, já com cara de enterro e disse para todo mundo que estava lá:

- Eu vim dizer que todo mundo está desconsolado com a prematura morte da Tica, mas DEUS há de ter piedade de sua alma!

A casa virou um pandemônio com a mãe desmaiando, o pai dando cabeçada na parede, a irmã se jogando no chão e esperneando e o resto da família em histeria. Até o cachorro foi para baixo do sofá miando em vez de latir. Acho que o coitadinho perdeu a identidade!!!

Todos foram para o hospital e tomaram um sossega-leão para conter a histeria generalizada. O Prefeito me telefonou com aquela voz de político abalado e me convidou para ir à Câmara de vereadores onde haveria uma homenagem para mim e para a Tica.

Telefonei para ela ir para lá pois excepcionalmente, naquele momento ela estava fazendo compras em uma cidade próxima.

Cheguei na Câmara e o auditório estava entupido de gente, cheio de faixas de cor lilás (horríveis, por sinal) estendidas do teto ao chão. Fui passando pelo corredor central em direção ao palco e todos me olhando com cara de piedade, algumas velhas fungando e eu sem entender nada.

Quando cheguei ao palco o Prefeito começou a fazer um discurso melancólico e eu sem entender absolutamente nada. Quando eu percebi que tudo aquilo era um baita engano, Tica apontou no fim do corredor, com um vestido todo branco, sem ninguém perceber.

Tomei o microfone das mãos do Prefeito e disse:

- Está havendo um grande engano que eu preciso desfazer. 

Olhei para o fim do corredor central e disse:

-Tica minha querida, venha cá!

Todos olharam para trás e quando a viram toda de branco no início do corredor, paradinha com sua cara de anjo, entendendo menos que eu, o inferno começou. Foi gente gritando, correndo uns por cima dos outros, algumas mulheres se ajoelharam pedindo a DEUS que tirasse aquela alma dali e deu o que fazer para acalmar a todos e cuidar dos feridos.

Viram bem no que dá criar uma fofoca? Bem, a reação da família quando viu a Tica viva eu conto em outra história!!!


Escrito por Helio Faria Junior

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

OS PROBLEMAS DE UM AMOR RURAL




Há dias que postei no Facebook um vídeo mostrando minha vaquinha 510 lambendo minhas mãos e no final, tentando lamber meu rosto. Coloquei o título de MEU AMOR RURAL. Quem quiser pode ver este vídeo na minha LINHA DO TEMPO do Facebook no link https://www.facebook.com/photo.php?v=662165267129155 .


Tudo ia muito bem, muitas curtidas e muitos comentários bem humorados, até que Tica, a minha namorada viu a postagem, leu o título rapidamente e não viu o vídeo.

No dia seguinte fui ao apartamento dela e o porteiro do prédio sequer me deixou entrar. Me entregou uma caixa de papelão onde estavam todas as coisas que dei para ela. Roupas, perfumes, brincos. Não faltou nada. Tudo que dei para a Tica desde o primeiro dia que começamos a namorar estava naquela enorme caixa. Grudada do lado de fora havia uma carta com os seguintes dizeres:


“ Helio, meu ex-grande-amor e atual maior decepção,


Jamais pensei que você fosse me trocar por alguém, ainda mais por uma caipira ridícula e horrorosa. 


Estou decepcionada com você que não foi homem de falar sua decisão na minha cara e me fez descobrir sua traição pela Internet. Francamente, achei que você era o máximo mas descobri que você é um lixo.


Não me procure nunca mais porque vou viajar e não sei quando volto ou se volto. 

Tenha dignidade e não insista pois o que você fez não tem perdão.


Até nunca mais. Espero que você morra.


Tica”


Quando comecei a ler a carta fiquei arrasado, Tica é o amor da minha vida. Quando acabei de ler o primeiro parágrafo e conhecendo a Tica como eu conheço, entendi o que estava acontecendo e percebi que ela não havia visto o vídeo.


Nos dias seguintes tentei insistentemente telefonar para ela e visitá-la para esclarecer tudo, mas sem sucesso. Tica evaporou.


Uma semana depois, eu estava no trabalho, em uma sala onde trabalhavam mais oito amigos quando Tica entrou na sala quase derrubando a porta, parou no meio da sala aos prantos e berrou para todo mundo ouvir:


- Se você se ajoelhar agora, aqui na frente de todos os seus amigos, confessar publicamente que é um canalha arrependido, vou pensar muito se perdôo você! É sua única chance!!!


Me ajoelhei aos pés de Tica e disse:


- Eu amo você meu amor e o MEU AMOR RURAL é uma vaca.


Sem pestanejar, Tica respondeu:


- Eu sabia que era uma vaca, biscate, safada, ordinária, piriguete, bandida, pistoleira rural......


Depois da gargalhada geral dos meus amigos que sabiam de toda a história e de a Tica ter se assustado e engolido o choro, tive a oportunidade de explicar o acontecido e mostrar o vídeo.


Gente, não pensem mal da minha Tica. Não se pode exigir demais de uma loira!!!


Escrito por Helio Faria Junior

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

MOMENTOS DE HORROR DE NIDE


Nide é um amigo meu, nascido criado e vivido nos confins de Goianápolis/GO. Interiorano autentico, rural de carteirinha. Bruto, rústico e sistemático! A vida para ele foi difícil e de muita luta. Começou do zero no patrimônio e no conhecimento, mas com as bênçãos de DEUS, muito aos pouquinhos, foi crescendo em sua atividade.

No dia em que as finanças deram uma respirada, ele resolveu, pela primeira vez na vida, sair de férias com a família para passar 15 dias em Porto Seguro/BA. Só a viagem de avião já daria uma ótima historia porque Nide nunca havia entrado em um aparelho daqueles. Se sentou ao lado da turbina e cada vez que a aeronave iniciava a corrida para decolar, tremia numa turbulência ou pousava, Nide ria, chorava, rezava alto pedindo a proteção do Senhor:

- Misericórdia meu DEUS ...se quiser me leve mas proteja minha família...(aos berros)

Depois de pousar e decolar de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador, com diversos shows especiais de Nide, enfim desceram em seu destino e ele resolveu, após se alojar em um hotel, sair com a família para comer um acarajé, pois na viagem, nem as barrinhas de cereal ele teve estomago para comer.

Esganado e exagerado, Nide comeu oito acarajés, recheados de camarão seco, vatapá e muita pimenta. Como estava acostumado com muita pimenta malagueta, para entrar ate que não teve dificuldade, comeu numa boa, mas para sair, foi uma tragédia.

As hemorroidas de Nide inflamaram e incharam muito. Sua esposa insistiu muito para levá-lo para um hospital, mas ele muito macho dizia:

- Homem nenhum vai tocar ai, eu morro entupido mas não vou deixar nenhum corno por a mão em mim...

Ela foi ate uma farmácia, comprou um antibiótico e uma pomada de uso local que é um tubinho com furos laterais que tem que ser introduzido e apertado. Vocês podem imaginar o escândalo que Nide fez para deixar sua esposa fazer a aplicação. O povo do hotel chamou ate a Policia Federal achando que se tratava de sequestro sob tortura, mas em rápidos 98 minutos a aplicação foi feita, entre as lagrimas dele e as gargalhadas dela.

Daí para frente, Nide só comeu alface com tomate e no ultimo dia um franguinho grelhado na chapa sem sal.

Chegando de volta a Goianápolis, Nide me procurou e disse:

- Minha mulher me deu uma prova de amor. Só mesmo amando demais a um homem uma mulher é capaz de fazer o que ela fez e continuar se interessando por ele.

Então lhe perguntei: Tirou muitas fotos?

Eu quis perguntar sobre as fotos do passeio, mas ele achou que eu estava perguntando sobre as fotos do “episodio”, e muito bravo me respondeu:

- “Sai fora coisa ruim...”

Faz seis meses que não consigo mais falar com Nide...

Escrito por  Helio Faria Junior





terça-feira, 10 de setembro de 2013

TICA ME LEVOU ÀS ESTRELAS




Tica é a minha namorada que sempre insistiu a fazer a minha barba, mas eu nunca deixei alegando que ela não sabia fazer. De tanto insistir, um dia acabei cedendo e ela fez a minha barba sem escanhoar. No dia seguinte foi necessário fazer outra vez.


Na semana seguinte, expliquei que primeiramente ela devia passar a lâmina de cima para baixo e depois, de baixo para cima que é o que se chama de escanhoar, o que  deixa a pele lisinha, sem asperezas.


No fim de semana seguinte eu não fiz a barba e na segunda-feira, Tica argumentando que já sabia barbear me pediu novamente e eu desafortunadamente permiti. Como ela é uma loira muito inteligente, raciocinou que passar a lâmina de cima para baixo era perda de tempo e que o melhor era escanhoar logo.


Fechei meus olhinhos e ela passou carinhosamente a espuma em meu rosto. Como os pelos estavam um pouco grandes, Tica massageou um pouco para que abrangesse todo o meu rosto. Que delícia!!!


Sem dó nem piedade passou a lâmina de baixo para cima, desde o ossinho do queixo até a base da costeleta. Foi um único golpe. Pensei ter virado um cosmonauta porque neste momento vi, com os olhos fechados, todas as estrelas da Via Láctea. 


Quem é homem e faz barba tem a exata noção do que eu senti. O puxão na bochecha foi tão forte que parecia que meu umbigo tinha parado no gogó e meus coquinhos no umbigo. Perdi o ar e a noção de tempo e espaço e sem que eu pudesse reagir ela aplicou o mesmo golpe na outra bochecha.


Desta vez saí de nossa galáxia e pude enxergar estrelas e planetas nunca dantes avistados. Posso afirmar que há vida em planetas longínquos. Nada pude fazer a não ser deixar rolar duas lágrimas nos cantinhos dos olhos. Ela não percebeu.


Com uma rapidez impressionante Tica repetiu o golpe em meu bigode. Eu parecia um alazão relinchando e tive a impressão que ela ia cobrir minha cabeça com meu beiço.

Tirando forças do âmago de meu ser, consegui pular da cadeira, jogar a toalha que estava em meu peito para cima e bradar uma única palavra:


- PAAAAAAAAAAARA!!!


Tica, indignada e magoada, retrucou:


- Seu mal agradecido, nunca mais faço sua barba.


Obrigado SENHOR por tão sábia decisão de minha namorada!!!


Escrito por Helio Faria Junior

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

UMA NOITE COM A SOGRA


Eu tive uma sogra que se chamava Mara Heloisa e nós carinhosamente a chamávamos de Marelô. Um dia toda a família resolveu fazer uma janta na fazenda que ficava próxima à cidade e para lá foram todos os cunhados, concunhadas, cunhadas, concunhados, filhos, cachorros, gatos e agregados.
Depois de uma farta bacalhoada, todos resolveram voltar para a cidade, mas eu, como tinha que estar lá muito cedo, resolvi ficar e para meu regozijo, Dona Marelô decidiu ficar para me fazer companhia. Alguém conhece alguma coisa melhor que passar uma noite com a sogra??? Um sonho!
Degustamos um delicioso vinho e lá pelas onze horas fomos dormir. Quando deu uma e meia da manhã, bateram à minha porta:
- Helio, estou com medo, está tudo quieto demais!
Respondi com ternura, que era normal, que estávamos na fazenda e que tudo era quieto demais sempre. Ela então voltou para o seu quarto.
Às três da manhã, bateram de novo na minha porta:
- Estou com medo. Tem alguém andando no forro do telhado, deve ser ladrão...
Respondi um pouco seco desta vez:
- O forro é de PVC e se fosse um ladrão, já teria despencado de lá de cima. O que a senhora está ouvindo são os passarinhos que fazem ninho no forro, caminhando. Pode dormir tranqüila Dona Marelô...
Às quatro e meia da manhã, mais uma vez bateram à minha porta e novamente, não poderia deixar de ser, era Dona Marelô:
- Helio, estou com medo, as vacas estão mugindo...
Aí, realmente perdi as estribeiras e disse:
- COMECE A TER MEDO QUANDO ELAS COMEÇAREM A LATIR E OS CACHORROS A MUGIR. AÍ SIM TERÁ CHEGADO O FIM DO MUNDO!
O silêncio foi total e nem os passos dela voltando para o quarto eu ouvi.
Pela manhã, tomamos um agradável café da manhã e nunca mais conversamos sobre o ocorrido naquela noite!!!
Escrito por  Helio Faria Junior

sábado, 3 de agosto de 2013

A FAROFA DE CATOFU


Na época de faculdade morávamos em uma república eu, Buil e mais sete companheiros. Vizinha da pensão, morava Dona Tanaka Shiiy Shi que nós apelidamos de Dona Xixi. Ela já devia beirar os cem anos e tinha uma filha de oitenta e poucos anos, muito chata que pusemos um apelido nela. Alguém pode imaginar qual o apelido que colocamos na filha de Dona Xixi??? Provavelmente você acertou...

Buil era um cara muito metido. Metido a gostoso, a rico, a inteligente, a galã, a besta, metido a tudo, mas não era nada disso. Só pegava baranga e todos os dias contava vantagem de ter visitado Dona Xixi e comido uma tal farofa de CATOFU que ninguém sabia o que era.

Um dia, Buil arrumou uma namorada meia boca, vegetariana radical e para variar, querendo aparecer, a convidou para ir na casa de Dona Xixi comer a farofa de CATOFU. Ela, com seu radicalismo vegetariano, ficou meio constrangida mas depois de muitos convites acabou cedendo.

Comeram fartamente a tal farofa, até que a moça teve a infeliz idéia de perguntar para Dona Xixi e sua filha qual o segredo daquela farofa tão deliciosa e Dona Xixi disse:

- Eu cato fumiga no quintal e faço a farofa!

Antes de começar a seção de vomitação, a menina só teve tempo de dizer para o meu amigo:

- Nunca mais olhe na minha cara...

Os dois foram levados para um hospital de urgência vomitando até as tripas.

Buil não podia mais ouvir nenhuma palavra que começasse com “for” que já passava mal. Teve que deixar as aulas de inglês porque todas as vezes que a professora falava “Look for me” ele vomitava o fígado. “For me” era uma dose cavalar.

Após cinco anos de tratamento psiquiátrico, os médicos disseram que Buil apresentava sinais de melhora e já não era mais metido a nada, mas o horror a palavras começadas por “for” ainda persistia. Eles achavam que ele iria melhorar, mas nunca mais poderia estudar inglês....

Ah, a pobre moça não resistiu à inanição. Morreu!!!
Escrito por  Helio Faria Junior